Três meses haviam se passado desde o nascimento de Herikr D. Jötunn.
A ilha onde ele nascera continuava isolada do resto do mundo, cercada por mares violentos e tempestades constantes. Grandes montanhas negras se erguiam como muralhas naturais, protegendo aquele lugar esquecido do olhar do mundo exterior.
Era um lugar perfeito para esconder uma existência como ele.
Ou talvez… para criá-la.
Naquele momento, o céu estava limpo pela primeira vez em dias. O vento soprava forte vindo do oceano, carregando o cheiro salgado do mar.
No topo de uma grande formação rochosa, dois gigantes ancestrais observavam a cena abaixo.
Entre pedras enormes e árvores antigas, uma pequena figura caminhava lentamente.
Pequena… apenas em comparação a eles.
— Ele cresceu de novo. — murmurou um dos gigantes.
— Eu também percebi — respondeu o outro, com os braços cruzados.
Eles continuaram observando em silêncio.
A figura que caminhava ali era Herikr D. Jötunn.
Mesmo tendo apenas três meses de vida, seu corpo já possuía quase três metros de altura.
Se fosse um humano comum, aquilo já seria o tamanho de um adulto.
Mas para um gigante ancestral…
Aquilo ainda era apenas o início.
Ainda assim, algo naquele crescimento era profundamente anormal.
Gigantes cresciam rápido, sim.
Mas não assim.
Não naquela velocidade absurda.
— Ele já consegue andar perfeitamente — comentou o primeiro gigante.
— E há uma semana ele ainda engatinhava.
— Não apenas isso — respondeu o segundo.
— Ele também já consegue levantar pedras que pesam mais que o próprio corpo.
O primeiro gigante permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Então falou lentamente:
— Esse garoto… não é apenas um híbrido.
— Ele é algo completamente novo.
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Enquanto isso, Herikr caminhava entre as pedras gigantescas espalhadas pela encosta da montanha.
Seus passos ainda eram um pouco desajeitados, mas melhoravam a cada dia.
Na verdade… melhoravam a cada hora.
E ele sabia exatamente por quê.
Meu corpo continua se adaptando.
Nos últimos meses, ele havia observado isso repetidamente.
Sempre que enfrentava algo difícil, seu corpo parecia aprender sozinho.
Quando tentou andar pela primeira vez, caiu várias vezes.
Mas depois de apenas alguns minutos, seu equilíbrio havia melhorado drasticamente.
Quando tentou levantar uma pedra grande demais para ele…
Seu corpo simplesmente encontrou uma maneira mais eficiente de usar os músculos.
Era como se cada célula estivesse constantemente analisando, aprendendo e evoluindo.
Algo completamente absurdo.
Mesmo para aquele mundo.
Esse deve ser o resultado do sangue das duas raças.
Gigantes ancestrais.
E Lunarianos.
Duas espécies extremamente poderosas.
Separadamente já eram monstruosas.
Misturadas…
O resultado era algo que o mundo provavelmente nunca havia visto.
Herikr olhou para trás.
Suas pequenas asas negras se moveram levemente com o vento.
Atrás delas, uma chama queimava silenciosamente.
O fogo nunca se apagava.
Nem mesmo quando chovia.
Nem quando ele entrava no mar.
Isso é realmente estranho.
Ele lembrava bem da história daquele mundo.
Os Lunarianos eram conhecidos por sua resistência absurda.
Enquanto a chama nas costas estivesse acesa, eles podiam suportar ataques que destruiriam quase qualquer outro ser.
Mas quando a chama se apagava…
Sua velocidade aumentava drasticamente.
Era uma troca.
Defesa absurda.
Ou mobilidade absurda.
Eu preciso descobrir se isso funciona da mesma forma comigo.
Ele continuou caminhando.
O terreno rochoso da ilha era difícil até para gigantes.
Mas para Herikr… aquilo parecia estar ficando cada vez mais fácil.
Seus músculos se moviam de maneira mais eficiente a cada dia.
Seu equilíbrio melhorava.
Sua respiração se tornava mais estável.
Seu corpo inteiro estava evoluindo constantemente.
E isso não era tudo.
Havia outra habilidade que ele estava começando a entender melhor.
Algo invisível.
Algo que ele sentia desde o momento em que nasceu.
Herikr fechou os olhos.
Por um instante, o mundo ao redor pareceu mudar.
Ele não estava mais apenas vendo.
Ele estava sentindo.
Movimentos.
Presenças.
Vida.
Ele conseguia perceber os gigantes no topo da montanha.
Conseguia sentir animais correndo pela floresta próxima.
Até mesmo os grandes peixes nadando nas águas profundas do oceano.
Tudo aparecia em sua mente como pequenas presenças brilhantes.
Haki da Observação.
Ele não tinha dúvidas.
Aquilo era exatamente o que os fãs chamavam de Kenbunshoku Haki.
Uma habilidade extremamente rara.
Especialmente para alguém tão jovem.
Isso é ridiculamente útil.
Se ele conseguisse desenvolver aquilo desde cedo…
No futuro ele poderia prever ataques.
Sentir inimigos.
Talvez até ver alguns segundos no futuro.
Ele lembrava de personagens extremamente poderosos que dominavam aquela habilidade.
Mas antes que pudesse pensar mais…
Algo aconteceu.
Seu instinto disparou.
Uma presença enorme surgiu no oceano abaixo da montanha.
Algo grande.
Muito grande.
Herikr abriu os olhos imediatamente.
Alguns segundos depois, uma enorme sombra apareceu na água.
Então a superfície do mar explodiu.
BOOOOOM
Uma criatura gigantesca emergiu das profundezas.
Um Rei dos Mares.
Seu corpo era tão grande quanto um navio.
Dentes enormes se alinhavam em sua boca monstruosa.
Seus olhos predatórios estavam focados diretamente na costa.
Ou melhor…
Diretamente em Herikr.
No topo da montanha, os gigantes imediatamente ficaram alertas.
— Um Rei dos Mares.
— Ele provavelmente sentiu o cheiro do garoto.
A criatura avançou em direção à costa, abrindo a boca gigantesca.
Qualquer criatura menor teria fugido.
Mas Herikr permaneceu parado.
Ele estava curioso.
Muito curioso.
Então é assim que um Sea King parece de perto.
Ele observou a criatura avançando.
Seu Haki da Observação captava cada movimento.
Cada contração muscular.
Cada mudança de direção.
Mas então…
Ele deu um passo em falso.
Uma pedra solta rolou sob seu pé.
Seu corpo perdeu o equilíbrio.
E antes que pudesse reagir…
Ele escorregou.
O penhasco desapareceu sob seus pés.
E ele começou a cair.
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O vento rugia violentamente enquanto seu corpo despencava pela encosta da montanha.
Lá em cima, os gigantes reagiram imediatamente.
— Herikr!
Mas já era tarde.
O pequeno corpo caía rapidamente em direção ao oceano.
Para um bebê normal, aquilo significaria morte instantânea.
Mesmo para muitos gigantes, aquela queda seria fatal.
Mas algo aconteceu no meio da queda.
O corpo de Herikr reagiu.
Instintivamente.
Seus músculos se ajustaram.
Seu centro de gravidade mudou.
E então suas asas se abriram.
Ainda pequenas.
Ainda fracas.
Mas suficientes para criar resistência no ar.
Sua velocidade diminuiu.
Seu corpo girou levemente.
E então ele atingiu o oceano.
BOOOOOOOM
Uma onda enorme se formou com o impacto.
A água se espalhou violentamente pela costa.
Por alguns segundos…
Tudo ficou em silêncio.
Então…
Uma pequena figura emergiu da água.
Herikr.
A chama atrás de suas costas ainda queimava.
Seu corpo não tinha um único ferimento.
No topo da montanha, os gigantes ficaram
completamente imóveis.
— Ele… sobreviveu.
— Não apenas isso — respondeu o outro.
— O corpo dele se adaptou no meio da queda.
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Herikr nadava lentamente em direção à costa.
Seu corpo parecia estar analisando a situação.
Se ajustando novamente.
Se fortalecendo.
Quando finalmente saiu da água, ele olhou para as próprias mãos.
Isso confirma.
Seu corpo realmente era diferente.
Não apenas forte.
Não apenas resistente.
Mas adaptável.
Um corpo que evoluía constantemente para sobreviver.
Ele respirou fundo.
Se treinasse por décadas…
Se dominasse os três tipos de Haki…
E ainda encontrasse uma Akuma no Mi poderosa…
Então talvez até monstros lendários daquele mundo não seriam suficientes para pará-lo.
Ele olhou para o horizonte.
Muito tempo ainda passaria antes da ascensão de Gol D. Roger.
Antes da era de monstros como Rocks D. Xebec.
E muito antes do início da jornada de Monkey D. Luffy.
Mas Herikr sabia de uma coisa.
Quando esse futuro finalmente chegasse…
Ele já estaria pronto.
Muito mais do que pronto.
Ele seria algo que o mundo jamais havia visto.
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Herikr D. Jötunn tinha apenas três meses de vida.
E mesmo assim…
Seu crescimento já havia começado a assustar até os gigantes ancestrais.
Se continuasse naquele ritmo…
Em poucos anos…
Até mesmo gigantes começariam a parecer pequenos diante dele.
E aquele seria apenas o começo de sua lenda.
