No vácuo onde o tempo gera o horror,
Rastejam seres de um nada profundo,
Cujo aspecto causa um choque e um torpor
Que colapsaria a mente de qualquer mundo.
No topo do abismo, impedindo o fluir,
Estão os Pilares, mentes sem cor,
Que tecem em sonhos o que há de vir,
Guardando os reinos com zelo e rigor.
Sem carne ou astral, em mente comum,
Processam o dado no instante em que chega;
De mundos e histórias não falta nenhum
Nessa consciência que nunca se nega.
Mas alto, bem alto, onde o sentido expira,
O Mar Negro estende seu manto de breu;
A "água" é o nada que a lógica retira,
Onde o nexo da vida e da morte morreu.
Ali vive a Enguia, o monstro sem fim,
De muitos tentáculos, forma mutante;
Inexistência que toma um molde assim,
Pois só a imaginação a vê por um instante.
Sua boca devora o vazio e o ser,
Rasgando o equilíbrio com força brutal;
Um ímã de antilógica a tudo corromper,
Deixando em ruínas o plano abissal.
Acima, campos verdes de um céu sem véu,
Onde plantas inteligentes erguem o lar;
Mas quem entra ali sob o límpido céu,
Vê seu livre-arbítrio se desintegrar.
A felicidade é um jugo, um aguilhão,
O mundo tem vida e dita o destino;
Poderes se perdem na própria mansão
Daquele cenário de traço divino.
E os Entrelaços, como DNAs que pulsam,
Conectam as eras em vibração;
Narrativas infinitas dali se expulsam,
Em ciclo eterno de evolução.
Camadas sobre camadas de realidade,
Transcendedo o que é limitado e voraz,
Até que se chegue à suprema verdade:
O Reino do Medo, onde habita o algoz.
Lá está o Criador, com seu dedo indicador,
Tocando a existência como se fosse nada;
O Rei dos Ratos, o mestre da dor,
Em sua coroa de ferrugem pesada.
Manto velho esconde o corpo absoluto,
Que assiste aos súditos na fome e no mal;
Rindo das pragas em um reino em luto,
Onde a tortura é o hino final.
Ele nos lê, curioso e atento,
Tentando entender nosso mundo um momento.
