Depois do que pareceram apenas alguns minutos de escuridão, acordei em um lugar quente, apertado e confortável. Não durou muito. Logo senti algo me puxando para fora. No calor do momento, tentei entender o que estava acontecendo até que a ficha caiu: eu estava nascendo! O médico me segurou de ponta-cabeça e me deu uns tapas no bumbum. Tentei xingar o homem e brigar com ele por aquilo, mas a única coisa que saiu da minha boca foi um choro alto e estridente de recém-nascido.
— Nasceu! E é um menino muito saudável — anunciou o médico.
Ele me passou para a enfermeira, que me limpou rapidamente antes de me levar até a minha nova mãe, que eu ainda não tinha conseguido ver.
— Olha, Emi, como seu bebê é lindo e forte — disse a enfermeira, me entregando.
Quando olhei para ela, meu coração derreteu. Emi era linda, e estava chorando de emoção. Ao seu lado, meu pai sorria, igualmente radiante.
— Oi, meu bebê... Seu nome será Bruce Hastings Arasaka — Emi sussurrou, com a voz embargada, antes de olhar para o homem ao seu lado. — Esse é o seu pai, William. Vai com o papai, vai...
William me pegou cuidadosamente no colo. Quando ele olhou nos meus olhos — que já mostravam um azul profundo e marcante —, não conseguiu segurar as lágrimas de alegria.
Depois de um dia de recuperação no hospital, recebemos alta. Meu pai me acomodou com todo o cuidado na cadeirinha do carro e partimos rumo à nossa casa, nos subúrbios de São Francisco.
Nascido em 6 de maio de 1998, Bruce Hastings Arasaka era, para a felicidade de seus pais, um bebê extremamente tranquilo.
Meus pais eram profissionais de sucesso. William trabalhava como contador independente, o que lhe permitia escolher seus próprios clientes e, na maioria das vezes, ajudar pessoas físicas a administrarem suas finanças e quitarem dívidas. Já Emi era uma confeiteira talentosa, dedicada a criar os doces mais perfeitos da região. Como meu pai trabalhava em home office e minha mãe tirou três anos de licença para focar em mim, cresci cercado de atenção.
Graças aos meus desejos, aos três anos eu já exibia uma inteligência muito acima da média, aprendendo tudo com uma velocidade assustadora. Mas o verdadeiro recomeço aconteceu aos 4 anos.
Foi quando meus poderes finalmente despertaram.
Passei duas semanas inteiras experimentando em segredo. Primeiro, foi a tecnomancia. Uma enxurrada de informações inundou minha mente, ensinando-me instintivamente como me conectar às máquinas. Lembro-me de encarar a velha TV de tubo da sala; foquei meus pensamentos e, de repente, a tela piscou, mudando de canal e aumentando o volume apenas com o meu comando mental. Fascinante.
Sabendo que precisava ir devagar, passei os dois anos seguintes treinando minha mente e meu corpo adaptável discretamente, deixando o tempo correr até completar 6 anos.
Minhas divagações foram interrompidas por uma voz ecoando do andar de baixo:
— Bruce, desce para o café da manhã! A comida vai esfriar! — chamou Emi.
