Meu nome é Arthur. Tenho 40 anos, sou um homem bonito e bilionário. Embora eu não me considere um gênio, reconheço, sem falsa modéstia, o meu talento. Tudo o que conquistei veio de visão, ousadia e uma pitada de sorte — o tipo de sorte que só encontra quem insiste em seguir em frente.
E falo mais de 8 idiomas diferentes.
[Sucesso em adquirir a habilidade extra: 'Filho do Ouro']
Minha personalidade é arrogante, sim, mas não de forma vulgar. Eu simplesmente me vejo acima da média.
Não como um homem comum, mas como um rei, um imperador do meu próprio mundo. E, sinceramente, depois de tudo o que passei, eu tenho esse direito.
Eu vim do fundo do poço. Fui órfão, jogado em um orfanato onde os supervisores apagavam cigarros na minha pele e me espancavam como se eu não fosse humano.
Cresci cercado de dor, medo e ódio, mas eu tinha algo mais forte: determinação.
['Resistência à dor' adquirida]
Foi essa vontade absurda de sobreviver que me trouxe até aqui.
[Confirmado]
[Sucesso em adquirir a habilidade única: 'Vontade do Imperador']
Foi ela que me manteve de pé, foi ela que me transformou no homem poderoso que sou hoje — alguém aparentemente feliz, cercado por aqueles que ama e que, ao menos eu acreditava, me amavam de volta.
Eu tinha uma esposa incrível e uma filha fofa, inteligente, a única coisa realmente pura na minha vida.
Mas quem eu estou tentando enganar?
A verdade é que descobri, há algum tempo, que minha esposa me traiu. Um caso que durou anos, escondido atrás de sorrisos, beijos e promessas vazias.
Enquanto eu construía um império, ela construía mentiras.
['Resistência à Ilusão' adquirida]
Como se quisesse me esmagar de vez, ela não poupou nada. Mandou mensagens debochadas, áudios rindo, dizendo que com ele se sentia viva, desejada, livre.
Naquele momento, pela primeira vez na vida, eu me senti quebrado de verdade.
Minha primeira reação não foi raiva ou ódio imediato.
Não foi tristeza. Não houve lágrimas, nem aquele nó na garganta que as pessoas chamam de desespero.
Foi um desligamento.
Como se alguém tivesse girado um interruptor dentro de mim e, de repente, tudo tivesse perdido o som e as cores tivessem ficado opacas.
Um mundo vazio.
[Aquisição da habilidade única: 'Vazio']
[Sucesso.]
O mundo seguiu em movimento, mas eu já não estava exatamente ali. Eu lia, relia, ouvia aquelas palavras, via aquelas imagens e, ainda assim, não reagia.
Meu corpo permanecia imóvel, quase respeitoso demais diante da própria ruína.
Era como observar a própria vida de fora, com uma distância cruel, clínica.
Eu, que sempre controlei tudo, que sempre antecipei riscos, que nunca permiti ser surpreendido… não consegui antecipar aquilo.
[Confirmado]
[Solicitação da habilidade única: 'Marionetista']
[Sucesso]
Não consegui entender como alguém que dormia ao meu lado todas as noites conseguia mentir com tamanha naturalidade.
Como beijos podiam coexistir com desprezo.
Como amor e traição podiam habitar o mesmo corpo sem conflito algum.
Mas, ao mesmo tempo, percebi que foi tudo mentira, que ela só se casou comigo fingindo que me amava.
Não… isso também não está certo. Ela me amava, sim. Me admirava, me adorava como uma esposa comum deveria ser com seu marido. O mesmo vale para mim: eu a tratei como uma deusa, amando-a, idolatrando-a.
Não estou em negação. Eu realmente via esses sentimentos genuínos em seus olhos, expressões e comportamento...
Depois de tanto tempo na alta sociedade, você desenvolve habilidades de ver através da falsidade, mesmo que apenas um pouco.
[Habilidade extra: 'Olho da Providência' adquirida]
Então por quê? Por que ela fez isso comigo? Por que destruiu tudo como se não fosse nada?
Não faço ideia. Não consigo pensar em nada. Talvez eu não seja tão talentoso como pensei que fosse.
Então eu montei um plano — um plano em que eu não precisasse me divorciar e perder metade dos meus bens para uma traidora.
O problema é que esse plano faria minha filha crescer sem uma mãe. Mas que tipo de pessoa ela se tornaria se fosse criada por aquela mulher?
Eu não podia usar as mensagens enviadas por ela, porque isso estragaria minha reputação. Não… na verdade, foi porque eu queria resolver isso com minhas próprias mãos.
Tudo isso não passava de uma desculpa hipócrita para vingança — e para procurar um propósito em um mundo sem cor.
Que patético. Eu achei que era forte, alguém com determinação de aço, mas só uma traição simples me fez perder a cabeça.
Fui traído e humilhado por incontáveis pessoas, mas nenhum desses eventos me abalou tanto. Acho que ser traído pela pessoa em quem mais confiava, que esteve ao seu lado desde o começo de tudo, é algo bem diferente, afinal.
Então matei o amante dela… mas eu não esperava que isso desse errado e que eu acabasse morto junto.
[Habilidade extra: 'Assassino frio' adquirida]
Aparentemente, o amante era da máfia ou algo assim. Eu não esperava isso.
Essa é minha história.
Neste momento, estou deitado na minha própria poça de sangue e de vários cadáveres ao redor, sentindo o calor do sangue e o frio da morte.
Se eu tivesse mais uma chance, teria vivido de forma mais desapegada, conhecido mais mulheres, aceitado as investidas daquelas atrizes, sido mais agressivo em aproveitar a vida — e não apenas trabalhar.
[Confirmado]
[Aquisição da habilidade única: 'Devorador' adquirida]
['Resistência ao frio' adquirida]
['Resistência ao calor' adquirida]
[Mesclando 'resistência ao frio' com 'resistência ao calor']
[Sucesso em adquirir 'resistência térmica']
Que plano estúpido… Achei que era um sábio, mas não sou nenhum grande sábio. Não sou ninguém.
[Aquisição da habilidade extra: 'Sábio' adquirida]
[Continuando]
[Tentando evoluir 'Sábio' para habilidade única: 'Grande Sábio']
[Erro]
[Erro]
[Erro]
[Erro]
[Bem-sucedida]
Aposto que minha filha vai me ver como um demônio quando isso virar notícia. Quando meu nome estiver estampado em manchetes, distorcido, mastigado, transformado em algo monstruoso.
Não que esteja errado, na verdade.
[Aceito]
[Raça escolhida: Daemon]
Então tudo se apagou, restando apenas escuridão.
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Arthur olha profundamente ao redor, como uma criança abrindo os olhos pela primeira vez, com confusão estampada no rosto.
Não havia nada, apenas uma extensão infinita de escuridão, sem nenhum sinal de presença ou qualquer outra coisa no local.
"Onde estou?"
É uma sensação estranha, como se esse lugar fosse incrivelmente familiar, mas estranho ao mesmo tempo.
[Resposta: Reino Daemon, um mundo espiritual onde os 'demônios' passam a existir.]
"Quê!?"
Eu me lembro dessa voz… quando estava ensanguentado no chão, morrendo. Achei que era apenas uma alucinação de alguém prestes a morrer.
"...Quem é você?"
Hum, estou mais calmo do que deveria. A resposta normal para essa situação seria a pessoa se desesperar, chorar, orar em nome de Deus em busca de salvação ao ver uma escuridão sem fim e escutar uma voz feminina sem emoção, sem saber se é um anjo ou um demônio.
Principalmente quando ela diz que você está praticamente no inferno.
Pontos para mim, eu acho.
[Resposta: É o efeito da sua habilidade única, Grande Sábio.]
Habilidade única? Não entendo muito bem, mas imagino que seja parecido com aqueles jogos e obras japonesas que eu via com minha filha.
Pensando bem, algumas dessas obras envolviam jovens reencarnando em mundos mágicos com habilidades poderosas… era fascinante. Nunca imaginei que aconteceria o mesmo comigo.
"Grande Sábio, huh? Do que você é capaz?"
[Resposta: Aumento da velocidade de processamento do pensamento em mil vezes; Analisar e fazer julgamentos sobre um alvo; Processamento paralelo; Anulação de canto; Toda a Criação; e Modo de Batalha Automático—]
"Hum, você não é muito útil, né?"
[...]
Com exceção de [Toda a Criação] e, talvez, [Análise e Julgamentos], sinto instintivamente que os demais não seriam muito úteis para mim.
O aumento da velocidade de processamento… é como acrescentar um impulso insignificante a algo que já opera em outra escala. Como acelerar um veículo que já se move a 30.000 m/s. O ganho existe, mas é irrelevante.
Processamento paralelo e anulação de canto são, para mim, triviais. Não no sentido de serem inúteis, mas de já estarem dentro do que considero natural, como respirar.
E o mais curioso é que eu não "aprendi" isso.
Eu simplesmente sei.
Não há memória, não há experiência prévia, não há raciocínio que leve a essa conclusão. Ainda assim, a certeza é absoluta, essas três capacidades não representam vantagem real para mim.
O restante ainda é incerto.
Preciso de tempo para entender suas aplicações. Não faço ideia do alcance total dessas habilidades.
Não… por que estou pensando nessas coisas? Eu deveria estar pensando em como voltar. Eu queria ver minha filha.
Mas isso está certo?
Eu morri. Seria estranho simplesmente aparecer diante dela, vivo e bem, quando claramente havia falecido. Isso não faria bem ao psicológico de uma criança.
Acho que devo seguir em frente.
Não posso viver preso a uma vida que já passou. Seria muito egoísta e infantil, até, agir como se eu tivesse o direito de ir contra a ordem natural das coisas.
No fim, isso nem importa.
Mesmo que me fosse permitido voltar, existem coisas que precisam ser deixadas para trás. Coisas das quais é preciso se desapegar.
O que aconteceu, aconteceu.
Resta apenas lidar com isso e seguir em frente.
Minha filha seguirá sua vida.
Então eu farei o mesmo, mesmo que seja no inferno.
