Morgana solta uma risada grave, um som que parece vibrar no ar gélido, claramente satisfeita ao ver a reação das sombras e o gelo que começa a dominar o chão.
— Isso... — murmura ela, dando um passo lento à frente, com os olhos fixos na névoa sombria e nas lâminas congeladas. — Deixe que o frio assuma o controle, Stephen. A sua mãe sabia exatamente do que você era capaz, mas você passou tempo demais tentando conter o que carrega no sangue.
A geada avança rapidamente pelas paredes, estalando enquanto consome o ambiente. As lâminas de gelo negro flutuam ao redor de Stephen, respondendo diretamente ao ritmo de sua respiração. O contraste entre o poder sombrio de Morgana e a aura congelante dele deixa o ar denso, quase difícil de respirar.
Em um canto da sala, Yasmim ajusta a postura. O brilho dos cristais azuis de sua coroa se intensifica levemente, refletindo no chão espelhado pelo gelo. Ela mantém os braços cruzados, sem dar sinais de medo ou surpresa, avaliando o nível do poder que acaba de despertar.
A magia negra de Morgana explode em direção a Stephen, rasgando o ar frio com relâmpagos sombrios. Antes que as sombras gélidas do garoto consigam rebater o golpe, Yasmim intervém de forma decisiva.
— Sirena, tire o Stephen daqui agora! — ordena Yasmim, a voz ecoando com autoridade soberana. — Leve-o para um local sob a proteção da Lua!
Sem hesitar, a guardiã Sirena surge do ar em um lampejo de luz prateada, segurando o ombro de Stephen e desaparecendo com ele em um vórtice luminoso antes que a magia de Morgana os alcance.
Ficando a sós com a bruxa, Yasmim desliza os dedos pelas mãos e tira suavemente as luvas, deixando transparecer o brilho estelar que brota da ponta de seus dedos. A coroa de cristais azuis em sua cabeça passa a emitir uma pulsão intensa, cobrindo seu corpo com um escudo de luz lunar pura.
— Vamos brincar, né, bruxa? — desafia Yasmim, com um sorriso frio nos lábios.
Morgana direciona um raio denso de energia das trevas contra ela, mas o ataque se choca violentamente contra o escudo prateado de Yasmim, dissipando-se em fumaça negra. Aproveitando a brecha, Yasmim ergue as mãos desprotegidas e canaliza uma onda avassaladora de força lunar. Uma rajada de luz gélida e prateada corta o ambiente com poder total, avançando diretamente contra Morgana para arremessá-la contra as paredes de pedra.
Morgana recua alguns passos sob o impacto da força lunar, sacudindo a poeira das vestes enquanto encara Yasmim com um olhar de desprezo e deboche. A luz prateada que emana de Yasmim continua a pulsar no ambiente, criando um contraste violento com a fumaça negra que ainda vaga pelo ar.
Yasmim dá passos lentos e calculados em direção à bruxa. A coroa de cristais azuis brilha com intensidade gelada no topo de sua cabeça, refletindo a determinação de seu olhar.
— Magia negra comigo? — Yasmim solta uma risada fria, sem qualquer traço de humor. — Haha... com a minha irmã Christyane? Gelo e trevas andam juntos no mesmo ambiente. Você nunca foi nossa mãe. Nossa mãe é a Elizabeth Christyan. Você é só uma bruxa que ensinou magia das trevas pra Christyane até ela pirar e matar a Victórie!
Ela faz uma pausa, o tom de voz carregado de um desprezo afiado e amargo:
— Nessa parte, a Christyane foi burra. Melhor ela lá no castelo das trevas, sozinha, longe dessa merda de magia negra!
Morgana sorri de canto, os olhos faiscando com a menção aos segredos da família, enquanto as sombras ao redor começam a se agitar novamente.
Morgana arqueia uma sobrancelha, o sorriso debochado desaparecendo por um segundo enquanto Yasmim continua, a voz gélida e cortante como o próprio inverno:
— Mas você nunca conseguiu fazer uma coisa: livrar ela dos pesadelos provocados por Maycon. Foi isso que a levou ao sanatório Marie Cullen Fernández e a passar inúmeros anos sozinha!
Um silêncio pesado toma a sala, quebrado apenas pelo crepitar da força lunar de Yasmim e pela fumaça sombria que vaga ao redor de Morgana. A menção ao nome de Maycon e às marcas deixadas na mente de Christyane claramente toca em um ponto cego no passado.
Morgana ajeita a postura, estreitando os olhos carregados de malícia.
— O sanatório... — murmura a bruxa, soltando um riso abafado e venenoso. — O Maycon plantou as sementes na mente dela, é verdade. Mas foi a magia negra que a manteve viva lá dentro enquanto vocês a abandonavam ao próprio destino. Se ela enlouqueceu, Yasmim, não foi por minha causa... foi porque a luz de vocês nunca foi suficiente para salvá-la da escuridão.
O ar entre as duas fica insustentavelmente frio. A energia lunar ao redor das mãos de Yasmim faisca com mais violência, reagindo à provocação sobre o sofrimento de Christyane.
