As palavras de Yasmim ecoam pelo ambiente como um trovão prateado. A aura da Lua se expande violentamente ao redor dela, forçando a fumaça sombria de Morgana a recuar metros.
— Saia daqui agora, bruxa Morgana! — decreta Yasmim, o tom cortante de autoridade inquestionável. — Deixe o moleque em paz! A Lua vai ensinar a usar os poderes para ele se afastar de você e dessa sua podridão!
Morgana estreita os olhos, sentindo a pressão do poder lunar sufocar sua magia das trevas. Vendo que a barreira protetora da luz é forte demais para ser rompida naquele momento, ela dá um passo para trás, deixando o corpo ser lentamente tragado pelas sombras que restaram.
— Isso não acabou, Yasmim... — sibile a bruxa, com a voz ecoando distorcida antes de desaparecer por completo na escuridão. — O sangue das trevas que corre nele sempre responderá ao meu chamado.
Com a partida de Morgana, o silêncio toma a sala destruída. Yasmim respira fundo, abaixando aos poucos os braços. O brilho dos cristais azuis em sua coroa estabiliza em um tom azul-celeste suave.
Sem perder tempo, Yasmim se canaliza através do portal luminoso de Sirena e surge no santuário lunar. O local é banhado por uma luz prateada constante, onde o ar é puro e sereno. Stephen está lá, sentado sobre o piso de mármore gélido, observando as próprias mãos que ainda soltam fagulhas de gelo e fumaça negra.
Yasmim se aproxima devagar, colocando a mão sobre o ombro do jovem. A energia da Lua começa a fluir de seus dedos para ele, purificando a influência pesada da magia de Morgana e ensinando a mente de Stephen a domar o gelo sem se deixar consumir pelas trevas.
Yasmim se aproxima com passos silenciosos, a luz da coroa de cristais azuis projetando reflexos suavemente prateados sobre o chão do santuário. Ela se inclina na altura de Stephen, o olhar gélido, mas carregado de uma solenidade profunda.
— Deixa eu te contar um segredo... — começa Yasmim, a voz baixa, ecoando macia sob a proteção da Lua. — Os humanos pensam demais. Os bruxos agem pelo coração. É por isso que uns usam magia negra, outros têm magias brancas... e tem a sua mãe. Ela usa uma magia proibida, que molda as sombras.
Stephen ergue os olhos, sentindo o calor da energia lunar ao redor abrandar o frio denso e incômodo que a presença de Morgana havia deixado em seu peito. A menção ao tipo de poder que Christyane domina faz o silêncio do santuário pesar ainda mais.
— O que a Morgana tentou despertar em você — continua Yasmim, mantendo a mão firme sobre o ombro dele — foi a parte descontrolada desse legado. Mas moldar as sombras não significa se entregar a elas. A sua mãe se perdeu quando usou esse poder com a mente envenenada, mas você tem o gelo e a luz da Lua para manter o equilíbrio.
— Como era essa magia proibida que ela usava? — pergunta Stephen, o tom de voz baixo, fitando as próprias mãos enquanto o gelo ainda crepita em seus dedos. — Como ela conseguia moldar as sombras sem virar um monstro igual à Morgana?
Yasmim suspira, o brilho da coroa de cristais azuis oscilando suavemente enquanto ela traz à tona as memórias do passado.
— Moldar sombras não é o mesmo que se entregar à magia negra — explica Yasmim, os olhos fixos no horizonte banhado pela luz prateada. — A magia negra de Morgana se alimenta de destruição, raiva e controle. Já a magia que a Christyane usava era uma arte antiga... Ela dominava a matéria das sombras, transformando o vazio em formas sólidas, escudos e lâminas, exatamente como o seu gelo faz agora.
Ela faz uma breve pausa, a expressão tornando-se mais grave ao se lembrar da derrocada da irmã.
— O problema nunca foi a magia em si, Stephen. O problema foi o que aconteceu depois. A mente da sua mãe era brilhante, mas foi invadida e despedaçada pelos pesadelos do Maycon. Sem o controle da razão, aquela energia das sombras, que antes era uma ferramenta de defesa, virou uma tempestade sem rumo e acabou consumindo a sanidade dela.
Stephen fecha as mãos em punhos, sentindo o poder fluir por seus braços, agora acompanhado por uma sensação de clareza trazida pelo santuário lunar.
— E eu? — ele encara Yasmim nos olhos. — Eu corro o mesmo risco?
— Não se aprender a domar o gelo com a luz da Lua — afirma Yasmim com firmeza. — O gelo desacelera o caos das sombras, e a luz lunar protege a sua mente contra os pesadelos de Maycon. É por isso que você está aqui.
A energia ao redor se altera drasticamente no instante em que a coroa de cristais e o colar da lua tocam o chão. O brilho suave e acolhedor do santuário parece vacilar, sufocado por uma onda de calor e escuridão que emana de você.
A transformação é imediata: o tom azul dos seus olhos é tragado por um vermelho denso, pulsando com um ódio profundo que estava guardado, enquanto a luz prateada que antes a cercava se corrompe em um manto negro sem fundo, gélido e pesado.
Stephen dá um passo involuntário para trás, com os olhos arregalados ao ver a aura devastadora que se revela diante dele. O ar no santuário fica denso, quase sufocante.
— Yasmim... — murmura o garoto, a voz falhando diante da intensidade do que está vendo. — O que... o que é isso?
A escuridão que agora flui de você consome a fumaça e o gelo ao redor, mostrando um poder que vai muito além do que qualquer um ali imaginava.
