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Chapter 4 - O CAOS TEM UM MESTRE E UM NOVO NOME

A respiração de Leo ficou presa na garganta. Ele olhou para os olhos de Reinaldo, que não eram hostis, mas perigosamente inquisitivos. O líder do Colosso Verdejar não estava perguntando sobre uma magia; estava perguntando sobre a alma do poder de Leo, o segredo guardado desde a Academia Legacy.

— Qual é a natureza real do seu poder, jovem Veyndril? — repetiu Reinaldo, a voz grave, mas baixa, escondida no canto escuro do salão de festa.

Leo sentiu o Arcano V – O Hierofante tentar se manifestar, buscando a resposta ética. Mas o instinto de sobrevivência, de não revelar o sistema dos Arcanos, prevaleceu.

— É… uma Invocação, Mestre Reinaldo. Um tipo de Familiar Arcanista. E o resto é… controle elemental, potencializado pela sincronia.

Reinaldo inclinou a cabeça, insatisfeito. — O que saiu daquele gato, Veyndril, não é a assinatura de um familiar comum. Não é uma fera mágica. É… Caos estruturado. É uma potência que eu nunca senti antes. Seja honesto com a Master X.

A pressão era sufocante. Leo estava prestes a gaguejar uma resposta, a quebrar o juramento de silêncio, quando uma voz divertida e melodiosa cortou o ar.

— Deixe o prodígio respirar um pouco, Reinaldo. Você vai quebrar o garoto antes que ele possa assinar os papéis da vida.

Era Ainar Stellarion. O instrutor, que vestia um longo sobretudo azul-petróleo em vez dos robes formais, flutuou suavemente na conversa, parecendo um anjo caído e entediado. Ele sorria, mas seus olhos, de um tom cinza-claro quase branco, analisavam a situação com precisão fria.

— Seu senso de curiosidade, Mestre Reinaldo, é uma ameaça ao potencial. O que o garoto tem é o que a Master X precisa: imprevisibilidade.

Reinaldo recuou, mas manteve o olhar fixo em Leo. — O imprevisível é perigoso, Ainar. Lembre-se disso.

— É por isso que eu estou aqui. Para abraçar o perigo — Ainar piscou para Leo, que estava aliviado, mas confuso. — Vamos. Sua equipe está esperando.

Ainar colocou uma mão leve, mas firme, no ombro de Leo, conduzindo-o de volta ao centro do salão, onde Luna e Bob os esperavam.

A METODOLOGIA DO CAOS

Voltando para a mesa, Ainar sentou-se na cadeira vaga ao lado de Leo, ignorando o burburinho da festa. Luna e Bob se inclinaram imediatamente, esperando o veredito.

— Sou Ainar Stellarion, seu novo Mestre na Guilda Master X — Ainar começou, servindo-se de um copo de vinho que parecia ter vindo do nada. — Sei que esperavam Draven ou talvez o esmagamento de Fiára. Mas vocês ficaram comigo.

— O que o senhor espera de nós? — perguntou Luna, pragmática.

— Tudo e Nada. — O sorriso de Ainar se alargou. — Rhaegor e Fiára treinam potência e disciplina. Eles pegaram times de alta precisão e alta força, o Ferreal e o Sinfonia Quebrada. Eu lhes dou parabéns, eles são previsíveis e excelentes. Mas o poder de vocês é diferente.

Ainar bebeu o vinho, seus olhos fixos no vazio, como se estivesse vendo as linhas de mana do universo.

— Seu time, Veyndril, opera no Caos e na Sincronia Arriscada. Luna usa as Trevas como estratégia. Bob é um pilar de três elementos. E você… você é um nó de mana que usa um familiar anômalo para golpes de alta precisão. Eu não vou ensinar disciplina a vocês. Eu vou ensinar vocês a quebrar limites. Eu vou empurrar vocês para fora da zona de conforto da Legacy. Eu quero ver a explosão de potencial. Vocês vão treinar em cenários que os forçarão a usar aquele golpe de energia anômala do seu gato não apenas como golpe final, mas como recurso inicial.

Leo sentiu o peso da responsabilidade, o peso de ter um segredo exposto a um mestre que sabia exatamente o que procurar.

— Vamos começar com as missões de Rank D amanhã, mas antes… — Ainar colocou o copo na mesa, e sua expressão ficou séria, quase paternal. — Há um incentivo.

O ALVO: JOGOS DAS GUILDAS

— Daqui a três meses — Ainar olhou para o trio, a intensidade de sua voz diminuindo para um sussurro estratégico. — Ocorrerão os Jogos das Guildas.

Luna e Bob se entreolharam, surpresos.

— São 27 guildas de elite de todo o país. É a Copa do Mundo do poder arcano. A guilda vencedora garante patrocínio, influência política e, mais importante, o respeito do Continente.

— Qual é o nosso envolvimento? — perguntou Bob.

— A Master X envia um time de veteranos e um time de novatos — explicou Ainar. — O time novato não é escolhido por favoritismo. Ele é escolhido pelo ranking. Nos próximos três meses, vocês farão missões, acumularão recursos, aumentarão seu Rank. O trio de novatos que estiver no topo do Ranking de Desempenho em três meses será o representante da Master X nos Jogos.

Ainar apontou discretamente para a mesa do Triunfo de Ferro, onde Cassian olhava diretamente para eles com desdém.

— Seus rivais, o time do Veyron e o time da Mira, são seus concorrentes diretos para essa vaga. Eles são disciplinados, poderosos e já têm a bênção de Fiára e Rhaegor.

Ainar sorriu, mas o sorriso era predatório.

— Vocês têm o potencial bruto para ganhar, Veyndril. Mas vocês precisam de um alvo. Os Jogos das Guildas são esse alvo.

O NOME E O NOVO AMANHÃ

O peso da notícia — a competição feroz, os Jogos, a rivalidade — pairou sobre eles.

— E por último — Ainar se levantou. — Vocês não têm um nome. O Triunfo de Ferro soa militar. A Sinfonia Quebrada soa artístico. Vocês são… três órfãos da Legacy. Pensem nisso. Um nome não é apenas um rótulo. É uma promessa.

Ainar Stellarion se afastou, deixando o trio mergulhado em um silêncio pensativo, enquanto o barulho da festa continuava ao redor.

A noite se arrastou. Leo não conseguiu dormir. Ele andava pela área de dormitórios para novatos, a ansiedade pesando sobre seu peito. Ele pensava em nomes: O Mago e o Louco, Trindade Elemental, O Trio da Legacy. Todos pareciam pequenos, acadêmicos.

Ele se lembrou da voz de Draven: "A Master X precisa de um líder." Ele se lembrou da arrogância de Cassian. Ele se lembrou da frieza de Mira. Ele se lembrou do Caos que ele precisava controlar para sobreviver.

Ao amanhecer, o sol subiu sobre a Fortaleza, pintando a pedra cinza-escura de um laranja avermelhado. Leo parou diante da janela, sentindo o pulsar do seu segredo, do Arcano V – O Hierofante que o ligava a Luna e Bob.

Ele não queria ser apenas o melhor time da Legacy. Ele não queria apenas vencer os Jogos das Guildas. Ele queria ser o melhor time da Master X. O time que redefiniria a guilda.

Leo Veyndril sorriu. Um sorriso exausto, mas determinado.

Ele voltou para o quarto, onde Luna e Bob já estavam se preparando para o primeiro dia de missão.

— Eu encontrei nosso nome — disse Leo, a voz firme.

Luna levantou a sobrancelha. Bob parou de apertar suas manoplas de couro.

— Qual é, Leo? — perguntou Luna.

Leo olhou para os dois, o cansaço desaparecendo, substituído pela certeza. Ele apontou para o emblema da espada cruzada no uniforme da guilda.

— Nós seremos o time mais forte da guilda. Vamos redefinir o que isso significa.

Ele disse o nome, e ele soou como um juramento, um desafio lançado contra a própria Master X.

— Nosso nome é Master X — declarou Leo.

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