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Chapter 5 - O BATISMO DE FOGO EM CAMPANUS

Leo, Luna e Bob estavam na sala de treinamento principal da Master X. O espaço era cavernoso, o ar pesado com a eletricidade estática residual de incontáveis magias. A luz da manhã entrava pelos vitrais rúnicos, pintando o chão de basalto com tons frios. Eles esperavam por Ainar Stellarion, vestindo seus novos uniformes de missão, a armadura leve ajustada ao corpo.

Ainar não caminhou; o espaço simplesmente se dobrou. Num instante, ele estava encostado em uma coluna, o sobretudo azul-petróleo escuro em contraste com a pedra clara.

— Bom dia, recém-formados. Prontos para a primeira missão sob minha tutela? — Ainar sorriu, mas o sorriso era o de um predador esperando a caça.

— Prontos, Mestre Ainar — respondeu Leo, dando um passo à frente. — E temos nosso nome.

Ainar levantou uma sobrancelha, interessado. — Ah, sim? O Triunfo de Ferro escolheu o óbvio. A Sinfonia Quebrada, o pretensioso. O que o Caos Estruturado escolheu?

Leo inspirou profundamente, sentindo a determinação que havia forjado durante a noite. — Nosso nome é Master X.

Um segundo de silêncio pairou. Luna e Bob mantiveram a compostura. Ainar soltou uma gargalhada alta e limpa que ecoou no salão, um som inesperado, quase musical.

— Ah, maravilha! — Ainar balançou a cabeça, secando uma lágrima imaginária. — Que ousadia, Veyndril! Que insulto elegante à hierarquia! Você está dizendo que sua equipe é o único time que importa, que vocês são a própria essência da Guilda. É a arrogância perfeita. Eu gostei.

Ainar parou de rir, e a intensidade retornou aos seus olhos cinza-claros. — Agora, a missão. É um trabalho de limpeza, o tipo que ensina o valor do sangue e do tédio. Vocês vão para Campanus.

Leo sentiu um frio percorrer a espinha. Campanus. Sua cidade natal. Sua casa. — O que está havendo em Campanus? — perguntou Leo, sua voz tensa.

— Infestação. Um ninho de criaturas Rank C e B — Ainar deu de ombros, indiferente aos laços emocionais de Leo. — Os guardas locais não dão conta. Vocês farão uma missão de caça e extermínio. Sem reféns. Sem sentimentalismo. É um teste de capacidade sustentada e discrição. A Master X não quer publicidade desnecessária para a fraqueza de uma cidade real. Vocês seguirão para o Posto Militar Real de Campanus e procurarão pelo Comandante da guarnição para o briefing final. Eu não irei com vocês na incursão. Eu vou treiná-los no caminho.

A viagem começou naquela mesma tarde. O trem militar era uma máquina de ferro e runas a vapor, suja e barulhenta, que avançava pela paisagem de planaltos áridos e florestas densas. O balanço constante e o cheiro de graxa e fuligem eram o oposto do ambiente estéril da Master X.

Nos dois primeiros dias, o "treinamento" de Ainar não envolveu combate, mas conflito dialético. Ainar sentava-se com eles no vagão de carga, totalmente alheio ao desconforto, forçando-os a debater suas falhas e potencialidades.

— Bob — Ainar começou no primeiro dia. — Você domina três elementos: Vento, Água e Raio. A Master X valoriza a especialização. Por que você dilui seu poder em três?

Bob permaneceu estoico. — Minha força é minha versatilidade, Mestre. O Vento anula o fogo. A Água conduz o Raio. Eu sou o escudo e o canal para Leo e Luna.

Ainar riu. — O papel do escudo é louvável, mas previsível. Eu quero que você use sua tripla afinidade não para defender, mas para confundir. Misture o Vento e o Raio para criar um campo de turbulência eletromagnética. Não os deixe prever seu próximo movimento. Seu poder deve ser o Caos do Céu, Bob.

No segundo dia, ele se concentrou em Luna, que revisava um tomo de Trevas antigas.

— Luna. Sua Magia das Trevas é pura e estratégica. Mas você é previsível em seu uso da sombra. O Veyron (Cassian) usaria a Arma Dourada para cortar seu fluxo mágico. Mergulhe mais fundo. Você usa a Treva como negação da luz e calor. Eu quero que você use a Treva como negação da propriocepção. Faça seus inimigos sentirem que o chão sob eles é lama fria e escorregadia. Faça a mente deles falhar.

Ainar finalmente se virou para Leo, que estava com Caramelo (o familiar arcanista) discretamente escondido sob sua capa.

— Veyndril. Seu segredo. A assinatura de Caos que seu gato invocado produz é o que nos diferencia. Você usa a previsão para criar aberturas. Mas sua previsão é lenta, baseada na intuição.

— Como posso acelerar? — perguntou Leo.

— Não tente acelerar sua intuição. Confie nela. Use o instinto do seu familiar. O Caos do seu poder não planeja. Ele age. Quando a sua previsão mental (a Sacerdotisa) lhe der uma abertura de um segundo, use o seu familiar para entrar nela imediatamente, sem pensar. Transforme sua cautela em ferocidade. É assim que o time Master X se torna o melhor.

O terceiro dia foi gasto em silêncio tenso. O trem parou na linha principal, e eles caminharam a última milha.

Campanus era uma cidade antiga, fundada sobre uma mina de ferro extinta. As casas eram de pedra escura e telhados de ardósia, envoltas por uma muralha de basalto rachada pelo tempo. O ar cheirava a terra úmida e fumaça de madeira. Mas, ao se aproximarem, havia uma quietude tensa que Leo nunca havia conhecido. As ruas estavam vazias, os portões de ferro das casas, fechados. Não havia o som de crianças ou a agitação do mercado.

O Posto Militar Real era uma estrutura pequena, mas robusta, encravada na muralha leste. Havia dois guardas na porta, armaduras enferrujadas e olhares exaustos.

Ainar parou o trio na frente do portão. — Chegamos ao inferno natal, Veyndril. Sua missão começa agora. Encontrem o Comandante. O Labirinto acabou. O sangue é real.

Leo sentiu o peso da Master X sobre seus ombros e a proximidade perigosa de sua família. Ele assentiu, sentindo o Arcano IV – O Imperador (Liderança) se manifestar.

— Vamos, equipe Master X.

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